28.11.13

Pincéis Para Pintar Sobre o Vidro



Olá a todos,
Uma leitora do blogue deixou o seguinte comentário:
"Olá. Gostava de perguntar qual o pincel que utiliza para passar o verniz no vidro. Já comprei 2 e deixam marcas. Obrigado."

Resolvi fazer um post para responder a esta questão pois é um tema que, apesar de já ter falado aqui no blogue na secção "Como Fazer Pinturas em Vidro", não aprofundei muito mas é importante e pode ser do interesse de outros leitores.

Sem dúvida que é o Artista que faz a obra mas os materiais utilizados também ajudam...ou não.

Na minha experiência, encontrei alguns problemas com a utilização de certos pincéis (e com certos vernizes também). Vou enumerá-los e explicar como os tentei contornar:

1º - Grossura dos pincéis - Nos detalhes pequenos e perto da linha de contorno a espessura dos pincéis é muito importante pois, ao tentar pintar certos cantinhos do desenho, se o pincel for muito grosso o verniz espalha-se por cima da pasta de contorno e até mesmo para outro detalhe para onde eu não queria que ele fosse.
Solução: No início da pintura procuro usar pinceis mais finos primeiro (por exemplo, nr. 1 ou 2). Se vejo que consigo trabalhar bem o verniz e o espaço do detalhe que estou a pintar permitir, mudo para um pincel mais grosso.
Neste aspecto, a experiência vai-nos ensinando qual o pincel mais adequado para o tamanho dos detalhes. A minha dica é que comece sempre por usar um pincel mais fino.


2º - Os pincéis perdem pelos e ficam colados ao verniz - Nas minhas primeiras pinturas em vidro usei pincéis baratos que comprava em packs como os da imagem abaixo. Então, com alguma frequência deparava-me com este problema. Os pinceis perdiam pelos ou rapidamente perdiam a sua forma inicial "arrumadinha" e isso atrapalhava-me a pintura - também eram pinceis suaves demais.
Solução: Investir em pinceis com maior qualidade que, apesar de serem suaves, não perdem tantos pelos ou a forma.
Aparar os pelos do pincel: Com uma tesoura, corto os pelos do pincel que se deformam e que ficam fora do conjunto da ponta porque se não fizer isto o verniz pode se espalhar para locais que eu não quero ou salpicar detalhes já pintados.




3º - Marcas na pintura - Por vezes podem aparecer marcas na pintura mas cheguei à conclusão que isto pode ter mais a ver com a utilização de vernizes demasiado secos ou com a técnica que se usa para espalhar o verniz do que com o pincel em si.
Solução: Com a prática, verifiquei que obtinha melhores resultados quando usava mais quantidade de verniz no pincel e o deixava gotejar para o vidro. Depois de as gotas cairem no vidro, espalhava o verniz e ajeitava-o suavemente - empurrando cuidadosamente - com a ponta do pincel. Comecei por treinar esta técnica de gotejar com gotinhas mais pequenas em cantos dificeis de pintar e depois fui treinando e aumentando as gotas de tamanho. Mesmo para detalhes maiores ou para fazer degradé de cores é uma boa técnica que resulta bem para mim. 


 4º - Bolhinhas de ar na pintura - Este problema ocorre com maior frequência com vernizes de menor qualidade.
Solução: Comprar vernizes de melhor qualidade, existem algumas marcas melhores que outras. Se mesmo assim se formarem bolhinhas de ar, pode usar a ponta de um pincel fino e, ainda com o verniz fresco, pressionar o pincel em cima da bolha e empurrá-la suavemente até desaparecer. Por vezes é necessário molhar o pincel no verniz antes de tentar corrigir a bolha.


7º - Marcas tipo "estrada" ou riscos na pintura - Este problema pode ocorrer quando o verniz está demasiado seco. Quando um frasco é aberto e depois não é utilizado até ao fim e o guardamos durante algum tempo, ficará ar dentro do frasco que com o tempo fará com que o verniz se torne mais espesso. O verniz é de secagem rápida e quando está muito espesso é bastante difícil de trabalhar e pode deixar marcas tipo "estrada". 
Solução: Uma boa solução que encontrei foi misturar um pouco de verniz incolor em bom estado ao verniz mais espesso. Pode perder-se um pouco a cor inicial do verniz mas consegue-se dilui-lo um pouco de forma a ainda o poder usar. 
Outra coisa que recomendo é tentar comprar só as quantidades necessárias para o trabalho a realizar pois os vernizes guardados durante muito tempo ficam espessos ou secam. Se faz poucas pinturas no vidro, recomendo que vá comprando os vernizes à medida do que precisa para cada projecto.
Quando tiver de guardar o resto que não usou, não se esqueça de limpar bem as tampas e o bordo do frasco antes de fechar. Senão, quando tentar abrir o frasco novamente vai ter dificuldades porque o verniz seca e cola.

Depois de várias experiências com diferentes tipos de pincéis, um dia resolvi usar um pincel de cerdas de forma espatulada. Apesar da forma espatulada não ser a mais adequada para pintar certos detalhes pequenos (e os pinceis de cerdas serem menos macios) gostei bastante da experiência. Este tipo de pincel passou a ser um dos que utilizo para colorir detalhes maiores.



Exemplo de pincel de cerdas espatulado - 1º e 2º à direita



Pincéis de cerdas de vários tamanhos da marca Condor


Os pelos dos pincéis podem ser feitos de materiais naturais ou sintéticos. Os naturais são feitos de pelos de animais, como por exemplo pelos de marta, porco, texugo, doninha, raposa, pônei, camelo, esquilo, etc. Os pelos sintéticos são feitos de filamentos de nylon. 
Os pinceis de pelos naturais são preferencialmente usados para pinturas a óleo e vernizes, enquanto que os sintéticos são melhores para tintas à base de água, pois as cerdas não se expandem quando ficam humidas.
Existem várias marcas de pinceis disponíveis no mercado. Só para referir algumas marcas de referência podem ver a marca Tigre (clicando aqui), Condor (clicando aqui) ou a marca Pelikan (aqui).



Exemplo de pincel feito de pelos de marta vermelha da marca Condor

De uma forma geral (e não apenas nas pinturas em vidro) os pincéis planos (como os espatulados) ajudam a espalhar melhor a tinta ao passo que os pincéis redondos retêm mais a tinta do que outros tipos de pincéis do mesmo tamanho mas formatos diferentes. Para colorir grandes áreas os pincéis planos são os melhores.
Os pincéis de cerdas, feitos de pelos de suíno, são utilizados para pinturas a óleo assim como os que são feitos de pelos de marta. Os de cerdas são os mais adequados para principiantes por duas razões: são mais baratos e agarram mais quantidade de tinta.
Os pincéis de pêlo suave natural absorvem mais a água e são ideais para aquarela.
Os pincéis sintéticos são os mais recomendáveis para acrílico porque esta tinta seca rápidamente e danifica mais os pinceis de pelos naturais.

Em relação às pinturas no vidro os pincéis mais adequados são os macios de pelos naturais. Por serem macios, permitem trabalhar melhor o verniz. O tamanho do pincel depende do projecto que vai realizar. Nos detalhes muito pequenos prefiro usar o nr. 1 ou 2. 


Cuidados a Ter com os Pincéis

Nunca deixe os pincéis com as cerdas mergulhadas para baixo em recipientes com água ou solventes. Para limpar os pincéis prefira usar um pano humedecido no solvente adequado caso contrário os pêlos podem se deformar. Após remover bem o verniz com o solvente, lave o pincel em água corrente.
Deve-se guardar os pincéis separados, na vertical, com as cerdas para cima ou na horizontal dentro de uma caixa.

Importante: Tenham em consideração que os vernizes vitral secam relativamente rápido e, se não tivermos o cuidado de os limpar muito bem os pincéis após utilizar, os pelos naturais danificam-se mais fácilmente.  

Só por curiosidade, os pincéis de pêlos naturais mais caros e raros são os que são feitos de pelo de marta Kolinsky, como os da imagem abaixo:


 

Espero ter ajudado.
Até Breve :)

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